Agora falando não de mim mas de ti.
Tiveste e perdeste. Foste e já não és.
És o que não eras, ainda assim.
AQuela obsessão.
Aquele por quem dormiste mal, por
quem esperaste nos aeroportos
e nas estações de caminhos de ferro.
Aquele a quem apertaste a mão
com um sorriso nos lábios ou
acariciaste o pescoço.
Era uma ideia no teu
espírito, a imagem pintada em
cores fortes e aguadas. Fora
de nós não existe nada. Nada
que dure, em todo o caso.
Agora, que entendeste alguns
principios básicos da filosofia
tradiciona - o real e nós, o sujeito
separado do objecto, a inexistência
do mundo exterior e a do universo
interior, do proprio «eu» - aprendes
a viver longe dos outros, da «realidade».
Palavras, ideias, sistemas, a pretensão
da sabedoria. E a ti que te importa?
Queres viver, não ceder à tentação
do caos que nos libertaria da dor.
Existo, dizes, isso sei-o. Posso
deixar de existir, também o sei.
Mas não poderias, se te arrependesses
de ter morrido, voltar a existir de novo.
Tais são os limites. Há gente que
continua a falar-te como se entendesse
alguma coisa da tua maneira de ser.
Deixá-los. As recordações que temos,
com ninguém as podemos partilhar.
Nem quero.
Pessoas nervosas e chatas à
procura simplesmente de mais alguém,
oiço-vos e depois
chego a casa espantada da minha
amabilidade e paciência. Ai.
Devious Comments
(Já vi que estás a ler Kafka, o livro que te recomendei. Estás a gostar?)
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~ normality is abnormal. let's be freaks?
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